A saúde bucal na terceira idade costuma receber atenção apenas quando aparece dor, dificuldade para mastigar ou algum problema visível. O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, ressalta a importância de considerar esse aspecto dentro de uma visão mais ampla do envelhecimento, pois dentes, gengivas, próteses e mucosas desempenham funções essenciais no dia a dia. Além de tratar condições já instaladas, monitorar a saúde oral e adotar hábitos adequados pode contribuir para preservar a alimentação, o conforto, a comunicação e a autonomia.
Saiba mais a seguir!
Por que a saúde bucal muda com o envelhecimento?
O avanço da idade pode trazer alterações que exigem cuidados específicos. A boca seca, por exemplo, pode ocorrer em razão do uso de determinados medicamentos ou de outras condições e favorecer o surgimento de cáries, além de provocar desconforto. Mudanças na gengiva, desgaste dos dentes e dificuldades relacionadas ao uso de próteses também podem aparecer ao longo dos anos. Em razão disso, observar alterações na boca e comunicar qualquer mudança ao profissional de saúde pode ajudar a evitar que pequenos problemas evoluam sem acompanhamento.
Isso não significa, porém, que perder dentes ou conviver com problemas bucais seja uma consequência inevitável de envelhecer, destaca o Doutor Yuri Silva Portela. A manutenção da higiene, o acompanhamento odontológico e a identificação precoce de alterações ajudam a reduzir riscos e permitem que cada necessidade seja avaliada de maneira individual. Além de preservar dentes e gengivas, esses cuidados podem contribuir para que a pessoa mantenha mais conforto durante atividades cotidianas, como falar, mastigar e se alimentar.
Outro ponto importante é que o idoso pode não perceber imediatamente determinadas alterações. Por isso, esperar o surgimento de uma dor intensa para buscar atendimento pode atrasar a identificação de um problema. A prevenção começa justamente quando o cuidado deixa de depender apenas do aparecimento de sintomas. Consultas regulares permitem avaliar mudanças que não provocam sinais evidentes e ajudam a definir os cuidados mais adequados para cada fase da vida.
Quais sinais precisam de atenção? Confira com o Doutor Yuri Silva Portela
Sangramento frequente da gengiva, inchaço, dor, sensibilidade, mau hálito persistente e dificuldade para mastigar não devem ser tratados simplesmente como efeitos da idade. Alterações na mucosa da boca também merecem observação, especialmente quando permanecem por um período prolongado ou não apresentam melhora. Perceber esses sinais e procurar avaliação odontológica pode contribuir para identificar a causa e evitar que alterações tratáveis avancem sem acompanhamento.

Próteses que ficam soltas, machucam ou dificultam a alimentação também precisam ser avaliadas, retrata o Doutor Yuri Silva Portela. O desconforto pode fazer com que a pessoa deixe de utilizar o dispositivo corretamente ou passe a evitar determinados alimentos. Com o tempo, essa adaptação pode modificar a rotina alimentar e afetar o prazer de comer. Além do desconforto, uma prótese inadequada pode dificultar a mastigação e interferir na segurança e na qualidade das refeições.
Como a higiene ajuda na prevenção?
A prevenção depende de uma rotina de higiene adequada. Escovar os dentes regularmente, utilizar creme dental com flúor e fazer a limpeza entre os dentes são medidas importantes para reduzir o acúmulo de resíduos e a formação de problemas que podem comprometer dentes e gengivas. Manter esses cuidados diariamente é importante, mesmo quando não existem sintomas, porque a ausência de dor não significa necessariamente que a saúde bucal esteja preservada.
A língua também precisa receber atenção durante a higiene. Para pessoas que utilizam próteses, existem cuidados específicos, como a limpeza adequada do dispositivo e das estruturas da boca. A prótese também precisa ser observada com frequência para verificar se continua bem adaptada e confortável. Quando surgem feridas, irritações ou mudanças no encaixe, é recomendável buscar avaliação profissional em vez de tentar corrigir o dispositivo por conta própria.
Além desses cuidados diários, o acompanhamento profissional permite identificar necessidades que não podem ser resolvidas apenas com a higiene doméstica. A frequência das consultas pode variar conforme as condições de cada pessoa, seus tratamentos, histórico e presença de alterações bucais. Conforme informa o Doutor Yuri Silva Portela, essa avaliação individual ajuda a definir quais cuidados são necessários e quando determinadas intervenções devem ser realizadas.