Dalmi Defanti, sendo fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, acompanha um cenário em que a inteligência artificial já participa da criação de imagens, textos, identidades visuais e peças publicitárias. Com a expansão dessas ferramentas, fica mais difícil definir onde termina o trabalho humano e começa a atuação da tecnologia, além de surgir uma questão sobre autoria: quando uma criação passa por diferentes etapas, quem deve ser reconhecido pelo resultado?
Saiba mais a seguir!
A ferramenta pode ser considerada autora?
A IA não cria a partir de uma intenção própria. Ela responde a comandos, referências e parâmetros definidos por pessoas, além de utilizar padrões aprendidos durante seu desenvolvimento. Fundado nisso, atribuir a ela a mesma responsabilidade criativa de um profissional humano simplifica uma questão que envolve várias etapas. O resultado depende de escolhas feitas antes, durante e depois da geração, o que torna o processo mais amplo do que simplesmente acionar uma ferramenta.
Uma imagem pode surgir a partir de uma instrução muito simples ou de um processo elaborado, com várias tentativas, referências e correções. Quanto maior a participação humana na definição do resultado, mais evidente fica que a ferramenta funciona como parte do processo, e não necessariamente como responsável isolada pela criação. A seleção entre diferentes versões e as alterações realizadas posteriormente também interferem diretamente na forma final do material.
Existe ainda uma diferença entre gerar e decidir, comenta Dalmi Defanti. A IA pode apresentar alternativas em segundos, mas alguém precisa escolher qual delas será utilizada, verificar se atende ao objetivo e determinar quais alterações serão necessárias. A autoria, portanto, não pode ser analisada apenas olhando para quem produziu o arquivo inicial. É preciso considerar todo o percurso da criação e as decisões que transformaram uma possibilidade gerada automaticamente em uma peça efetivamente utilizada.
Onde começa a responsabilidade do profissional?
O trabalho profissional não desaparece porque uma ferramenta executou determinada tarefa. Ao contrário, a necessidade de avaliar o resultado pode aumentar quando existem muitas possibilidades disponíveis. Selecionar uma composição, corrigir problemas e adaptar uma criação para diferentes aplicações exige conhecimento sobre comunicação e produção. Quanto maior a quantidade de alternativas produzidas, mais importante se torna ter critérios claros para identificar quais soluções realmente atendem ao propósito do projeto.

Também existe uma responsabilidade prática, destaca Dalmi Defanti Cuiabá. Uma peça destinada à impressão precisa atender a características técnicas que nem sempre são consideradas por uma ferramenta generativa. Resolução, proporções, cores, tipografia e formato podem interferir diretamente na reprodução. Um arquivo visualmente adequado na tela pode precisar de ajustes antes de ser encaminhado para a produção, especialmente quando envolve diferentes tipos de papel, formatos ou acabamentos.
E quando a empresa fornece o briefing?
A empresa também participa da construção da criação. É ela que define objetivos, público, posicionamento e, muitas vezes, as características que precisam aparecer na comunicação. Esses elementos orientam o trabalho realizado pelo profissional e influenciam o uso das ferramentas de IA. Quanto mais claro for esse direcionamento, maior a possibilidade de a tecnologia ser utilizada para desenvolver uma solução alinhada às necessidades reais do negócio.
Isso não significa, porém, que toda empresa que utiliza inteligência artificial possa ser considerada autora de qualquer resultado produzido, informa Dalmi Defanti. Existe uma diferença entre definir o que se pretende comunicar e executar as decisões necessárias para transformar essa intenção em uma peça visual. O envolvimento com o projeto pode assumir diferentes níveis, e essa distinção ajuda a compreender melhor a contribuição de cada participante.
A questão fica ainda mais complexa quando várias pessoas participam do processo. Um profissional pode elaborar o conceito, outro pode utilizar a ferramenta, um terceiro pode fazer a revisão e a empresa pode aprovar a versão final. Nesse caso, reconhecer a participação de cada etapa pode ser mais adequado do que procurar um único responsável pela criação. A forma como essas funções são distribuídas também pode influenciar a responsabilidade sobre o material que será publicado ou produzido.